Você está aqui: Página Inicial / Comunicação / Notícias / Quarentena fez cair risco da próxima semana, diz secretário à Comissão Covid

Quarentena fez cair risco da próxima semana, diz secretário à Comissão Covid

por Célia Ferreira publicado 24/04/2021 13h55, última modificação 24/04/2021 15h02

 

A recente quarentena fez Cachoeiro deixar a faixa de risco extremo na pandemia Covid-19 e passar para a classificação de risco alto na próxima semana. Em contrapartida à boa notícia, também na próxima semana poderá faltar vacina para cobrir todo o público previsto no calendário de vacinação, sendo necessário aguardar mais alguns dias para a chegada de mais doses.

As informações foram passadas pelo secretário municipal de saúde, Alex Wingler, em reunião realizada nesta sexta-feira (24) pela Comissão de Acompanhamento, Monitoramento e Enfrentamento à Covid-19 da Câmara de Cachoeiro. A comissão é composta pelos vereadores Delandi Macedo (PODE- presidente), Junior Corrêa (PL-relator), Alexandre Andreza Macedo (PSB) e Mestre Gelinho (PSDB), e trabalha em parceria com a Comissão de Saúde da Câmara, também presidida por Delandi e composta ainda por Marcelinho Fávero (PL), Paulo Grola (PSB), Ely Escarpini (PV),Sandro Irmão (PSD) e Silvinho Coelho (Republicanos).

 

Cenário grave

 

Além dos membros da Comissão, também estiveram presentes à reunião a vice-presidente do Conselho Municipal de Saúde, Ana Paula Castelo Fonseca Moreira, e a vice-presidente do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do ES (Crefito 15), Elizandra Rodrigues. Todos ressaltaram que o cenário da pandemia em Cachoeiro é gravíssimo, como ocorre em todo o mundo, mas que o município tem enfrentado o problema com bom planejamento e estrutura de saúde adequada. O superintendente de saúde, José Maria Justo, que havia confirmado presença, não pode participar por estar se recuperando da Covid-19, em isolamento.

 

O presidente da Comissão, vereador Delandi, solicitou ao secretário de saúde que apresentasse um quadro resumido da pandemia no momento e a análise da atual classificação de risco. Segundo Wingler, o que difere Cachoeiro de outros municípios é que não há previsão de falta de qualquer tipo de medicamento e nem de oxigênio, como tem ocorrido em outros locais. “Mas os hospitais estão em clima de guerra, com profissionais incansáveis na linha de frente. Todos estão fazendo o melhor que podem. É uma luta absurda todos os dias”, afirmou. Sobre a classificação de risco, afirmou que Cachoeiro vive agora os efeitos da quarentena recente, com menor número de pacientes pressionando o sistema de saúde, o que fará o município passar de risco extremo para risco alto na próxima semana.

 

Wingler afirmou ainda que, em sua visão, não há outra saída que não seja a vacina. “É o melhor caminho”, afirmou, esclarecendo que é praticamente impossível que as prefeituras de todo o Brasil tenham a logística de importação necessária para adquirir qualquer tipo de vacina. “Temos que aguardar o envio feito pelo governo federal.    E sabemos que o governo do   estado   também   está tentando adquirir três milhões de doses, via Ministério da Saúde. Enquanto isso, teremos dias difíceis, como na próxima semana, em que poderá faltar vacina para cobrir todo o público planejado”, afirmou. E, esclarecendo ao vereador Sandro Irmão sobre como o município irá agir caso se confirme a escassez da vacina, afirmou que estudos científicos já admitem a prorrogação da aplicação da segunda dose para até 42 dias. “Mas aguardaremos o pronunciamento do governo federal”, disse.

 

Falta de profissionais

 

O vereador Delandi pediu esclarecimentos sobre denúncias de possíveis irregularidades na vacinação, como o favorecimento no agendamento. O secretário afirmou que o município tem regulamento determinando a punição a servidores que agirem erradamente, e que já foi feita uma demissão. “Quando tiverem conhecimento de qualquer falha, basta nos avisar, que o caso será apurado e o profissional será punido”, acrescentou.

O secretário garantiu ainda que existe capacitação constante para os servidores de todas as áreas, incluindo médicos e enfermeiros, A dificuldade é manter o número de trabalhadores necessário, principalmente de técnicos, pois há uma demanda crescente e um grande rodízio de profissionais,    justificado pela    oferta de empregos com salários melhores  . No momento, Cachoeiro está buscando a   contratação de 14 médicos, e espera ser atendido em breve pelo programa Mais Médicos, do governo federal.

 

Atendimento ao pacientes

 

O relator da Comissão, vereador Juninho, pediu informações sobre o atendimento aos pacientes com Covid-19, especialmente sobre o tratamento precoce. O secretário informou que o município possui todos os medicamentos do kit, e que cabe a cada médico a decisão de usá-los. “Não podemos interferir na conduta médica”, afirmou. O vereador Delandi lembrou que a Câmara, no início da pandemia, já havia solicitado a disponibilização desses medicamentos no município.

vice-presidente do Crefito-15, Elisandra, afirmou que não há deficit de fisioterapeutas na linha de frente em Cachoeiro. Segundo ela, a preocupação é com o atendimento pós-covid, já que muitos pacientes possuem sequelas e necessitam de atendimento posterior. Mas, afirmou, o município já iniciou o planejamento para criar um serviço de fisioterapia domiciliar, o que foi confirmado pelo secretário de saúde. E o vereador Mestre Gelinho sugeriu que os agentes comunitários atuem na identificação dos pacientes que necessitarem do atendimento pós-Covid, o que foi confirmado pelo secretário.

Já o vereador Delandi sugeriu também a criação de um serviço específico de atendimento psicológico para pacientes pós-Covid e profissionais de saúde. E, também, a aquisição de um aparelho de ultrassonografia, o que, segundo o secretário, já está em andamento. O vereador Marcelinho Fávero pediu esclarecimentos sobre a alimentação de pacientes na unidade Paulo Pereira Gomes (PPG), que é referência em Covid. Segundo o secretário a unidade não dispõe de cozinha, por sua característica de pronto-atendimento. “A criação de uma cozinha própria demandaria a oferta de alimentação diferenciada de acordo com as condições do paciente, atendimento a acompanhantes, contratação de nutricionistas, entre outras exigências. Entendemos que não se justifica esse investimento em uma unidade em que os pacientes, em geral, permanecem por poucas horas”, afirmou.

 

Interação entre União, Estado e Município

 

secretário finalizou sua participação afirmando que a interação entre União, Estado e Município tem sido grande. Segundo ele, os recursos enviados pela União são extremamente importantes, assim como a colaboração do governo do Estado. “Temos um superintendente municipalista, que privilegia as demandas locais e age em nossa defesa”, elogiou. Também afirmou que os deputados capixabas têm conseguido emendas importantes para aquisição de equipamentos.

A vice-presidente do Conselho Municipal de Saúde, Ana Paula Castelo, também elogiou o atuação das três instâncias de governo no combate à epidemia em Cachoeiro, e ponderou que é necessário haver maior mobilização política para aumentar o número de emendas para o custeio, pois a compra de equipamentos e a expansão do atendimento demandam investimento em outras demandas, como pessoa e instalações, por exemplo.

O presidente da Comissão Covid da Câmara, pastor Delandi, afirmou que a reunião trouxe importantes informações para toda a comunidade. “Recebemos importantes representantes das instituições empenhadas na linha de frente deste enfrentamento. Estamos otimistas e evoluindo, mas a demanda ainda é grande e desafiadora. Queremos mais praticidade e efetividade na dinâmica de atendimento a saúde do nosso povo”, concluiu.